Eu não planejava fazer 100 dias. Planejava fazer 30.
Em 1º de janeiro, me comprometi com um mês seco como milhões de outras pessoas. O Dry January é socialmente aceitável, temporalmente contido e vem com uma linha de chegada embutida. Você sofre por 31 dias, posta no Instagram, se recompensa com uma dose em 1º de fevereiro. Todo mundo segue em frente.
Mas em algum momento por volta do dia 25, percebi que não estava mais ansioso pelo dia 31. Algo estava mudando. Então continuei. E continuei. Até chegar aos 100 dias.
Aqui está o que aqueles 100 dias me ensinaram — fase por fase.
Dias 1-10: A fase de abstinência (sim, é real)
Os primeiros dez dias não foram charmosos. Eu não era um bebedor pesado por nenhuma definição clínica — talvez 10-15 doses por semana, espalhadas pela maioria das noites. Mas meu corpo tinha se adaptado àquele ritmo, e não estava nada feliz com o silêncio repentino.
Eu estava irritado. Inquieto. Meu cérebro parecia nebuloso de um jeito que eu não esperava — sempre achei que o álcool causava a névoa, e ali estava eu, completamente sóbrio e incapaz de me concentrar em qualquer coisa. O desejo das 17h batia como um relógio todo santo dia. Meu sono era terrível. Eu deitava na cama, exausto mas ligado, olhando para o teto.
O tédio era a pior parte. O álcool tinha preenchido tantas lacunas no meu dia que eu nem tinha percebido. A lacuna entre o trabalho e o jantar. A lacuna depois do jantar antes de dormir. A lacuna durante eventos sociais onde eu não sabia o que fazer com as mãos. De repente, essas lacunas estavam vazias, e tempo vazio é tempo desconfortável.
Monitorei tudo no Soberya. Os desejos. O humor. A qualidade do sono. E aqui está a coisa sobre monitorar uma experiência miserável: faz parecer produtivo. Cada desejo registrado era dado. Cada noite terrível de sono era uma linha de base. Eu não estava sofrendo — estava coletando evidências.

Dias 10-30: As vitórias surpreendentes
Por volta do dia 12, as coisas começaram a mudar. Sutilmente no início, depois inconfundivelmente.
O sono ficou glorioso. Não estou exagerando. Na terceira semana, eu dormia mais profundo e mais consistentemente do que em anos. Acordava antes do despertador, genuinamente descansado. Tinha esquecido como era essa sensação. As olheiras — que eu achava que eram genéticas — começaram a desaparecer.
Minha pele clareou. Esta foi inesperada e deliciosa. Em três semanas, a vermelhidão persistente nas minhas bochechas desapareceu. Minha pele parecia mais brilhante, menos inchada. Amigos começaram a perguntar se eu tinha mudado minha rotina de cuidados com a pele. Não tinha. Só tinha parado de despejar um depressor no meu corpo toda noite.
Descobri o que realmente gosto de fazer. Esta foi a grande. Sem o álcool como atividade noturna padrão, tive que descobrir o que realmente gostava. Comecei a ler de novo — livros de verdade, não só rolar a tela. Redescobri que gosto de cozinhar refeições elaboradas, não apenas o vinho que as acompanhava. Comecei a tocar violão, mal, e gostando. Fui à academia às 19h em vez de 6h e descobri que preferia.
Não eram atividades que eu tinha adotado para “substituir a bebida”. Eram coisas que eu sempre gostei, mas que tinham sido sufocadas pela facilidade e imediatismo de uma taça de vinho.
Dias 30-60: A maratona social
O trecho de 30-60 dias foi o mais difícil psicologicamente. Os desejos físicos tinham ido embora. A novidade tinha passado. E os desafios sociais atingiram com força total.
Jantares onde todo mundo estava na terceira taça. Eventos de trabalho onde “tomar uma” era a única moeda social. Encontros onde pedir água com gás parecia fazer uma declaração que eu não queria fazer. Aniversários, casamentos, happy hours de sexta, brunches de domingo — o álcool está entrelaçado no tecido social tão firmemente que se afastar parece rasgar uma costura.
Aprendi quem eram meus verdadeiros amigos durante esse trecho. Não de forma dramática — ninguém me abandonou. Mas alguns amigos eram genuinamente curiosos e solidários. Outros estavam desconfortáveis de um jeito que dizia mais sobre a própria relação deles com o álcool do que sobre mim. Os amigos que diziam “Que legal, me conta mais” versus os que diziam “Vamos, só uma” — essa distinção importava.
Também aprendi algo sobre mim mesmo: sou na verdade um introvertido. O álcool tinha mascarado isso por anos. Sem ele, percebi que não gosto de grandes reuniões barulhentas. Prefiro pequenos jantares com amigos próximos. Prefiro sair às 22h em vez de meia-noite. Prefiro profundidade a volume. Não eram traços novos — eram traços que eu estava suprimindo.
Dias 60-100: O novo normal
No dia 60, não beber não era mais um experimento. Era apenas minha vida.
Os desejos tinham desaparecido completamente. Não reduzidos — desaparecidos. Eu podia sentar no bar com amigos, vê-los beber e não sentir nada. Nem desejo, nem superioridade, nem julgamento. Apenas neutralidade. O álcool tinha se tornado irrelevante para minha noite.
Meus níveis de energia estavam consistentemente mais altos do que em uma década. Era mais produtivo no trabalho, mais presente com a família, mais paciente no trânsito. Minha ansiedade — que eu sempre considerei uma parte imutável da minha personalidade — tinha caído o que parecia 70%. Perdi 5,5 quilos sem fazer dieta. Minha frequência cardíaca de repouso caiu 10 batimentos por minuto.
Mas a mudança mais profunda era mais difícil de articular. Eu me sentia eu mesmo de novo — ou talvez eu mesmo pela primeira vez. A versão de mim que não precisava de um amortecedor químico para lidar com estresse, celebrar alegria ou suportar tédio. A versão de mim que podia ficar com sentimentos desconfortáveis em vez de afogá-los. Essa pessoa esteve lá o tempo todo. Eu só a estava mantendo sedada.

O que o contador de sequências do Soberya fez por mim
Preciso dar crédito a quem merece: o contador de sequências no Soberya era absurdamente motivador.
Há algo primitivo em ver um número subir. Dia 37. Dia 52. Dia 78. Toda manhã, eu abria o app e via aquele número, e parecia uma pontuação máxima. Quebrar a sequência não era apenas “tomar uma dose” — era resetar o contador. Começar de novo. Perder o jogo.
É um pouco bobo que um número numa tela me manteve firme? Talvez. Mas funcionou. No dia 70, quando tive um dia genuinamente terrível e não queria nada mais do que servir um copo de uísque e desaparecer nele, o pensamento de resetar aquele contador para zero foi suficiente para me parar. Fiz chá em vez disso. O contador marcou 71 na manhã seguinte, e senti orgulho genuíno.
O que vem depois do dia 100
O dia 100 veio e foi sem alarde. Não celebrei com uma dose, o que me surpreendeu. Sempre achei que o faria.
Decidi continuar. Não porque jurei abandonar o álcool para sempre — não fiz declarações permanentes — mas porque genuinamente prefiro como me sinto sem ele. Os dados de 100 dias são convincentes demais para ignorar: sono melhor, humor melhor, saúde melhor, relacionamentos melhores, mais dinheiro, mais tempo, mais clareza.
Posso beber de novo um dia. Uma taça de champanhe em um casamento. Uma cerveja num dia quente de verão. Mas não será diário. Não será habitual. E se começar a se tornar qualquer uma dessas coisas, tenho uma ferramenta — a mesma que usei por esses 100 dias — para me puxar de volta.
Se você está considerando ficar sem álcool, mesmo que temporariamente, aqui vai meu conselho: não pense em 100 dias. Pense em 30. Deixe o Soberya monitorar sua sequência. Veja como se sente no dia 30. Você pode se surpreender com o que encontrar. Eu sei que me surpreendi.